Q! você precisa saber sobre FÍGADO e HEPATITES VIRAIS

O fígado é o segundo maior órgão interno e a maior glândula do corpo, pesando

aproximadamente 1,5kg, porém na mulher é um pouco menor. Está situado no quadrante

superior direito da cavidade abdominal é o órgão no qual os nutrientes absorvidos pelo trato digestivo são processados e guardados para uso por outros órgãos. O fígado também é o responsável pela neutralização e eliminação de algumas substâncias tóxicas, como o álcool.

Quais são as funções do fígado?

O fígado possui múltiplas funções essenciais para o funcionamento do organismo, tais

como:

a) Produzir a bile - A bile é produzida pelo fígado em grande quantidade, de 600ml a 900ml

por dia. Num primeiro momento, ela se concentra na vesícula e depois é mandada para o

intestino, onde funciona como detergente e auxilia na dissolução e aproveitamento das

gorduras. Por isso, quando os canais da bile entopem, o metabolismo das gorduras fica

prejudicado;

b) Armazenar glicose – A glicose retirada do bolo alimentar é guardada no fígado sob a

forma de glicogênio, que será posto à disposição do organismo conforme seja necessário.

Nesse caso, as células do fígado funcionam como um reservatório de combustível.

Quando o cérebro, o músculo do coração, os músculos esqueléticos ou qualquer outra parte do corpo precisam de energia, a glicose é enviada para a circulação. Se não existisse esse sistema de estocagem, teríamos de comer o tempo todo para garantir o fornecimento de energia. Doenças hepáticas em fase adiantada provocam a perda dessa capacidade e afetam o abastecimento de glicose;

c) Produzir proteínas nobres - Entre elas, destaca-se a albumina, uma substância muito

importante para o organismo, porque mantém a água dentro da circulação (propriedade

osmótica ou oncótica). Quando a produção de albumina diminui, a água escapa das veias,

extravasa para os tecidos que estão debaixo da pele e produz inchaço, ou seja, edemas nas pernas, barriga d’água (ascite), etc. A albumina também serve de meio de transporte, na corrente sanguínea, para outras substâncias, como hormônios, pigmentos e drogas.

Deve-se, ainda, citar as proteínas ligadas ao processo de coagulação do sangue. Se o

fígado não está trabalhando bem, o nível dessas substâncias baixa e aumenta a

possibilidade de sangramentos consideráveis que podem ser provocados por ferimentos ou ocorrer espontaneamente pelo nariz (epistaxe), pelas gengivas, pela urina ou em menstruações exageradas;

d) Desintoxicar o organismo – O fígado tem a capacidade de converter hormônios ou drogas em substâncias não ativas para que o organismo possa excretá-los;

e) Sintetizar o colesterol – No fígado, o colesterol é metabolizado e excretado pela bile;

f) Filtrar microorganismos - Existe uma ampla rede de defesa imunológica no fígado. Além

das células hepáticas, existem inúmeros “tijolinhos” responsáveis por segurar bactérias ou

diferentes microorganismos que transmitem infecções. Algumas doenças hepáticas, a

cirrose, por exemplo, interferem nesse processo e tornam os indivíduos mais vulneráveis a

infecções;

g) Converter amônia em uréia - O fígado possui uma artéria e uma veia de entrada e uma

veia de saída. A veia de entrada recebe o nome curioso de “veia porta” e é responsável por

75% do sangue que chega ao fígado, levando consigo substâncias formidáveis, como as

vitaminas e as proteínas. No entanto, por ela chega também a amônia (produzida no

intestino e derivada principalmente de proteínas animais) para ser transformada em uréia.

Se o órgão estiver lesado, a amônia passará direto para a circulação e alcançará o cérebro,

provocando, no início, alterações neuropsíquicas (mudanças de comportamento,

esquecimento, insônia, sonolência) e, depois, pré-coma ou coma.

Por que o fígado sangra muito?

O fígado é um órgão encharcado de sangue. Por ele passam em torno de um litro e meio de sangue por minuto. Esse sangue sai pelas veias supra-hepáticas e vai para o coração. Se o coração, que é nossa bomba, estiver com problemas, o sangue será retido no fígado que aumentará de tamanho. Os sintomas que aparecem, então, aparentemente ligados à

insuficiência hepática, referem-se aos problemas cardíacos estabelecidos.

HEPATITES VIRAIS

Dentre todas as doenças do fígado enfatizaremos as hepatites causadas por vírus, pois

estas atingem milhões de pessoas no mundo e constituem um grave problema de saúde

publica. Além disso, uma boa parte dos casos de hepatite pode ser evitada conhecendo- se o modo de transmissão e pelo emprego de vacinas.

O que é?

É uma inflamação do fígado ocasionada por vírus e que podem comprometer em graus

variáveis a capacidade de funcionamento deste órgão. São conhecidos até o momento cinco tipos de hepatites virais, classificadas como tipos A, B, C, D e E. As mais comuns em nossa população são as hepatites do tipo A, B e C. Não existem problemas em visitar pessoas com hepatite, pois a hepatite viral não é transmitida apenas por contato entre pessoas.

Como se transmite?

Hepatite por vírus A: Esse vírus é eliminado nas fezes de maneira que sua transmissão é

chamada fecal-oral, ou seja, ingestão de água e/ou alimentos infectados. Além disso, pode se transmitir através dos alimentos. O vírus fica nas fezes, conseqüentemente a higiene após o uso do banheiro é necessário. Por isso, essa forma de hepatite é bastante comum em países menos desenvolvidos e em locais com precárias condições de higiene e saneamento básico. Esse tipo de hepatite acomete principalmente crianças entre 2 e 6 anos, mas qualquer pessoa pode ter a doença. Precisamos lembrar que quando os sintomas surgem, o vírus já está começando a desaparecer das fezes, isto é, a fase de maior transmissibilidade já está terminando. Mesmo assim, recomenda-se um tempo de

afastamento (não ir à escola, creche, etc.) de mais ou menos sete dias, a partir do início dos

sintomas. A hepatite A não evolui para a cronicidade e, na grande maioria dos casos, a

doença se resolve sem problemas.

Hepatite por vírus B: Pode se alastrar de várias maneiras, mas dificilmente será através de alimento contaminado. O foco primário de infecção é por meio de transfusão de sangue ou contato com secreções do corpo. Quase todas as secreções humanas podem ter o vírus da hepatite.

O uso de drogas injetáveis com a mesma seringa, tatuagens ou piercings sem material

esterilizado também pode ser uma via de transmissão. Transmissão sexual também é

provável. Mães contaminadas com o vírus B transmitem para os seus bebes, por isso toda

mulher grávida ou com vontade de engravidar deve fazer os testes para hepatite B.

Hepatite C: A transmissão da hepatite C é semelhante à hepatite B. A transmissão sexual é

mais rara e o contágio de bebes pelas suas mães incide em uma porcentagem bem menor

(5%).

Sintomas

No inicio, o paciente apresenta uma sensação de mal-estar geral, que pode ser

acompanhado de febre baixa, náuseas, vômitos e perda de apetite. Depois alguns dias,

estes sintomas melhoram e a urina se torna escura, as fezes ficam mais claras e o paciente

apresenta coloração amarelada da pele e mucosas (icterícia). Muitas vezes estes sintomas

estão ausentes ou são discretos que passam despercebidos e o diagnóstico é feito

posteriormente, quando o paciente realiza exames de rotina e descobre que tem ou teve

hepatite. É impossível diferenciar um tipo de hepatite do outro, baseado nos sintomas. A

única maneira de saber com segurança qual o tipo de hepatite é realizando exames de

sangue específicos. Os portadores crônicos das hepatites B e C geralmente não apresentam sintomas, a não ser em estágios mais adiantados da doença.

Evolução da doença

Os diferentes tipos de hepatite não apresentam a mesma evolução. A diferença fundamental é quanto a evolução para a forma crônica, ou seja, a possibilidade de persistência do vírus no fígado por mais de 6 meses. O risco de evoluir para a forma crônica depende da idade em que a pessoa foi infectada, de forma que em adultos, mais ou menos 10% evolui para a cronicidade, enquanto que em recém-nascidos infectados durante o parto essa taxa chega a 90%, por isso é importante o acompanhamento pré-natal e a vacinação. O vírus da hepatite C provoca hepatite crônica em torno de 80% dos infectados. Estes indivíduos têm risco de desenvolvimento de cirrose e câncer de fígado.

FÍGADO

Abaixo você encontra informações sobre as vacinas disponíveis para Hepatites e em

que condições a Secretaria de Saúde vacinará gratuitamente:

- Vacina contra a Hepatite A

Indicações:

A vacina é recomendada para qualquer pessoa que queira se proteger contra a doença,

como pessoas que viajam freqüentemente para áreas onde o saneamento básico é

impróprio, como praias, campo ou pessoas que se alimentam com produtos que podem

estar contaminados, como frutos do mar. Dependendo do fabricante a vacinação contra a

hepatite A está indicada a partir de 1 ano de idade. Nos Estados Unidos e na Europa

Ocidental, recomenda-se vacinar às pessoas que viajam para áreas de média e alta

endemicidade como África ou América Latina, incluindo o Brasil.

Reações:

Febre em cerca de 1% a 3% dos vacinados e, por vezes, dor discreta e transitória no local

da aplicação.

- Vacina contra a Hepatite B

Indicações:

Preconizada para pessoas de todas as idades.

Reações:

A incidência de febre após a vacina é próxima de zero. Pode ocasionalmente haver queixa

de incômodo no local da aplicação (coceira ou vermelhidão ou nódulo) que desaparece em horas.

Eficácia:

A vacina é aplicada em três doses, sendo as duas primeiras doses com um intervalo de um

mês, seguidas de um reforço seis meses após a primeira dose. A eficácia com o esquema

completo é superior a 95%. Atualmente os trabalhos científicos mostram que a proteção é

duradoura. A vacina contra a hepatite B já esta incluída no calendário normal de vacinação

infantil.

Grupos contemplados com a vacina contra a hepatite B:

 Todos os indivíduos até 19 anos (desde 1º Novembro de 2000);

 Comunicantes sexuais e domiciliares de portadores crônicos do VHB;

 Comunicantes sexuais de casos agudos de Hepatite B;

 Profissionais que operam em áreas de saúde com risco para adquirir a hepatite B, do

serviço publico ou privado;

 Alunos de cursos técnicos e universitários da área de saúde que atuam ou atuarão

em áreas de risco para a aquisição de hepatite B, públicos ou privados;

 Pacientes renais crônicos;

 Pacientes submetidos à politransfusões sanguíneas, como por exemplo os

hemofílicos, talassêmicos e os portadores de anemias falciforme;

 Bombeiros, policiais militares, civis e rodoviários envolvidos em atividade de resgate;

 Carcereiros de delegacias e penitenciárias;

 População penitenciária;

 Crianças e adolescentes institucionalizados da FEBEM;

 Ajudante de necropsia dos institutos de medicina legal;

 Profissionais do sexo e homens que fazem sexo com homens;

 Pacientes psiquiátricos institucionalizados;

 Portadores crônicos da hepatite C;

- Vacina contra a Hepatite C

Não existe vacina contra Hepatite C.

Tratamento

- Hepatite A: Não requer tratamento específico. A maioria dos pacientes se recupera em

poucas semanas, sem apresentar seqüelas. Após a recuperação, a pessoa está protegida

contra a doença.

- Hepatites B e C: por apresentarem evolução para a cronicidade, muitas vezes precisam de terapêutica específica. Muitos fatores interferem na decisão de tratar ou não um

determinado paciente: grau de inflamação do fígado, idade, doenças concomitantes, etc.

Prevenção

Existem várias medidas eficazes na prevenção da doença, como:

• Vacinação, no caso das hepatites por vírus A e B;

• Uso de água tratada ou fervida;

• Lavar bem legumes, frutas e verduras;

• Lavar bem as mãos após usar o banheiro e antes de preparar os alimentos e de se

alimentar;

• Não compartilhar seringas e agulhas;

• Usar preservativo nas relações sexuais;

• Uso de material de proteção por profissionais de saúde;

• Acompanhamento pré-natal para aconselhamento adequado e prevenção da transmissão;

• Evitar o uso abusivo de álcool, medicamentos e drogas.

PREVINA-SE!

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