Maneira de vida pode sossegar refluxo

A alimentação não regrada e o aumento do peso afetam a saúde do Sistema Digestório.

Na última década, os casos de Doença do Refluxo GastroEsofágico (DRGE) vem apresentando aumento constante, decorrente dos maus costumes alimentares e do aumento acelerado dos casos de obesidade na população – uma epidemia global, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Fatores comportamentais como fumar, ingerir bebidas alcoólicas, consumir café, abuso de chocolate, ficar sentado por muito tempo, passar longos períodos em jejum e ingerir alimentos de modo apressado também têm contribuído para as estatísticas relacionadas à enfermidade.


O refluxo gastroesofágico (retorno do conteúdo gástrico para o esôfago) é provocado especialmente pelo relaxamento do esfíncter esofágico, músculo situado na terminação do esôfago que normalmente se abre para a passagem da comida e depois se fecha para impedir o retorno dos alimentos ou do suco gástrico. Quando esse mecanismo exibe algum problema de funcionamento, como o fechamento inadequado, o refluxo aparece.


Mesmo que volta e meia esteja seguida de azia, queimação ou mau hálito, a condição pode ser assintomática. Apesar disso, quando alcança a parte alta do esôfago, pode ter engasgo, rouquidão, pigarro e tosse crônica, já que o suco gástrico agride a laringe e as cordas vocais. O líquido também pode penetrar no pulmão, levando à asma, bronquite e até à pneumonia.


Para que essa sintomatologia possa realmente indicar doença é necessário apresentá-la muitas vezes por semana e durante alguns meses seguidos. ‘’ Parte do refluxo é fisiológico, corriqueiro e assintomático, todos nós apresentamos em determinado momento. É imprescindível estar cauteloso quando os sintomas surgem de forma frequente: eles não devem fazer parte do cotidiano”.


Embora o diagnóstico ser concretizado por meio do relato dos sintomas, para avaliar a gravidade da doença e achar a melhor terapêutica, o médico pode solicitar alguns exames complementares, como a endoscopia digestiva alta. “Cerca de 20 ou 30% das pessoas podem apresentar exames normais, mas ainda assim ter a doença do refluxo. Isso só quer dizer que o refluxo não causa alteração importante”. Nesse procedimento o especialista poderá verificar se há alguma lesão ocasionada pelo refluxo, como úlceras e esofagites, ou alterações anatômicas que predispõe à doença, como hérnia de hiato.

A pHmetria esofágica (consiste na monitorização do ph (potencial hidrogenionico) intraesofagico, ou seja, mede a presença de ph ácido dentro do esôfago) também pode ser requerida. O exame mede a quantidade de ácido que sobe para o esôfago. Considera-se anormal a presença de refluxo (pH menor que quatro) acima de 4% do tempo total do exame (24 h).



Tratamento

O tratamento vai depender do resultado dos exames efetivados. Os mais eficazes ainda são os remédios inibidores da produção de ácido pelo estômago.


Em casos de hérnia de hiato grande, em doentes jovens, ou naqueles que precisam de doses altas de medicamentos, pode-se pensar na indicação de cirurgia, realizada geralmente por via laparoscópica. “Atualmente o acesso à medicação é grande e os remédios são muito eficazes. Mas é importante observar a necessidade de uma avaliação bem-feita, a fim de identificar alguma lesão ou não e escolher o caminho mais apropriado”.


Se não tratado, um quadro leve da doença poderá agravar com o tempo. Conforme vai se agravando, as alterações, como erosões e úlceras no esôfago, ainda se tornam mais perigosas à saúde geral. Pode ocorrer estreitamento do órgão em consequência de úlceras cicatrizadas, o que dificultaria a alimentação. Outra circunstância é a mucosa do esôfago se transformar em mucosa gástrica, fenômeno conhecido como esôfago de Barrett (também chamado de síndrome de Barrett). Os pacientes portadores dessa categoria têm 30 vezes mais oportunidade de ter câncer no esôfago do que uma pessoa sem o problema.

Independentemente do quadro, seguir a orientação dietética, combater a obesidade, alimentar-se de forma adequada e evitar o cigarro são maneiras essenciais para que o tratamento seja eficaz e leve à extinção dos sintomas. Erguer 15 cm a cabeceira da cama também é uma medida preconizada para impedir o refluxo. Os médicos não recomendam o uso de travesseiros altos porque eles podem prejudicar a coluna, elevando apenas o pescoço e a cabeça e não o tronco.



DICAS PARA EVITAR O REFLUXO


- Não coma muito rápido. Mastigue de 30 a 40 vezes o alimento:


- Fracione as refeições. Assim você não come de uma só vez;


- Deite- se somente depois de 2 horas após a refeição;


- bebidas gasosas aumentam a pressão de dentro do estomago e devem ser evitadas;


- Café ou chá com cafeína, devem ser restritos;

- Eleve a cabeceira da cama em 15 cm. Inclinação que evita o conteúdo gástrico subir para o esôfago;

Não fume. O cigarro ajuda a relaxar o esfíncter esofágico;


- Evite bebidas alcoólicas. Elas também podem provocar refluxo;


- Substitua frutas cítricas, tomates e cebolas da dieta devido acidez;


- Não abuse de comidas apimentadas e gordurosas.




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