SUPLEMENTOS ORAIS: USO EM PACIENTES COM CÂNCER













Uma das dificuldades mais comuns enfrentadas por pacientes oncológicos é a desnutrição. A incidência global da desnutrição durante a terapêutica varia de 30 a 85% e depende, especialmente, de dois fatores: a presença do tumor e a agressividade do tratamento oncológico.


A desnutrição de doentes oncológicos é distinta daquela sofrida por alguma pessoa que meramente deixa de se comer, pois, neste último caso, perde-se peso em um ritmo mais lento. Já nos pacientes com câncer, mesmo quando o tumor está localizado fora do alcance de órgãos que integram o sistema digestivo, há o consumo progressivo de massa gordurosa e também de massa magra (musculatura) devido ao estado inflamatório crônico e às substâncias produzidas pelo próprio tumor.

Conforme a portaria n.o19/2008, os suplementos orais são produtos preparados com a intenção de complementar a dieta diária de uma pessoa, que precisa contrabalançar uma possível carência de nutrientes, a fim de conseguir os valores da Dose Diária Recomendada. O próprio não substitui o alimento, e não pode ser empregado como dieta privativa. Comumente, são utensílios nutricionais empregados quando a quantidade de dieta ingerida por via oral é insuficiente, quando o paciente apresenta distúrbios gástricos e deficiência da salivação. A finalidade básica é melhorar o aporte alimentar do paciente com a intenção da melhora clínica e de prognóstico. Conforme o Consenso de Nutrição Oncológica do Instituto Nacional do Câncer de 2009, o uso de suplementos visa:


1) Ganho ou manutenção do peso;

2) Aumento do Índice de Massa Corporal (IMC–kg/m2);

3) Diminuir tempo de internação hospitalar;

4) Diminuir mortalidade;

5) Diminuir complicações;

6) Em pacientes desnutridos, em risco nutricional e/ou quando passam a ingerir proteico, podendo ser bem incorporados ao fracionamento da dieta.


Algumas dicas para aumentar a adesão ao uso do suplemento oral:

1) Uso de sabores variados

2) Alta densidade calórica em pequenos volumes

3) Horário determinado de uso, na tentativa de não interferir nas refeições principais.

4) Complementação com fibras, melhorando o trofismo intestinal e reduzindo a mucosite (A mucosite é uma inflamação da mucosa de revestimento do tubo digestivo causada por um efeito citotóxico direto dos agentes de quimioterapia ou pela radioterapia, duas modalidades terapêuticas vulgarmente usadas no tratamento das doenças malignas) e diarreia.

5) Uso de nutrientes escolhidos, diminuindo o quadro inflamatório.


O emprego da Suplementação Nutricional Oral é indicado quando a ingestão nutricional for inferior a 75% das recomendações nutricionais no período de cinco dias e quando não haja expectativa de melhora da ingestão.


A introdução de suplementos orais pode melhorar o aporte nutrológico que fica comprometido com a redução do consumo alimentar dos pacientes. Os suplementos orais oferecem energia, proteína e outros nutrientes, podendo ser um bom método para alcançar as necessidades nutrológicas e, assim, conservar ou até mesmo recuperar o estado nutrológico.


A suplementação nutricional oral é de extraordinária importância na terapêutica do paciente com câncer, pois devido a seu estado não tem reposição ou absorção de nutrientes apenas na alimentação normal, mostra-se a necessidade de complementar com nutrientes especiais em cada caso particularmente, de maneira individual, com o objetivo de conservar o peso, melhorar a qualidade de vida, proporcionar um quadro clinico mais positivo e até mesmo promover uma sobrevida. Entretanto, a suplementação depende das condições fisiológicas do paciente com câncer, de modo a receber a dieta adequadamente ao seu perfil, bem como ao tipo de câncer existente, para que possa traçar a quantidade exata de suplementos e os nutrientes específicos a cada pessoa. Diante a isso, pode-se compreender que o câncer, revela uma série de complicações no metabolismo, o que impacta sobremaneira, negativamente no estado nutricional do paciente, além das alterações já causadas pelo tumor, onde o tratamento quimioterápico surte uma variação de sintomas e efeitos colaterais que ainda refletem na alimentação. Devido ao grande índice de desnutrição nos pacientes com câncer, e as decorrências dessa no organismo dos mesmos, compreendeu-se a importância da avaliação nutricional constante e contínua, para que possa tratar esse indivíduo de forma apropriada e precocemente, de modo a prevenir mais complicações, pois auxiliar a diminuir os efeitos colaterais do tratamento, melhora a ingestão alimentar, ao mesmo tempo a sua qualidade de vida, elevando a chances de sobrevivência. Em últimos casos, há a probabilidade de empregar a nutrição artificial, quando não é possível um aporte de nutrientes suficientes com a implantação da nutrição oral ou quando se espera um agravamento da situação nutricional. Assim sendo, pode-se concluir que a suplementação nutricional oral é um utensílio essencial no tratamento contra o câncer, entretanto não deve ser trocada pela alimentação natural, mas sim servir como um complemento.

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